Semear invenções. Conectar imaginários. Mediar aprendizagens.

Semente Cinematográfica é o nome que escolhemos para demarcar a nossa ação no campo do cinema e da educação. A escolha de um nome não define apenas um rótulo ou uma estratégia de comunicação com o nosso público. Através desse nome, nos vinculamos a um certo modo de lidar com o ato de educar, ou melhor, com o ato de estabelecer meios para investigar, aprender e inventar.

Atelier de criação cinematográfica realizado na Escola Experimental de Cinema da EMEIF José Albino Pimentel, no quilombo do Gurugi-Ipiranga, Conde/PB (2017)

A aproximação entre a educação e o cinema é instigante e desafiadora, pois oferece a possibilidade de educar através da criação de filmes. Em relação à concepção tradicional de educação, tal iniciativa provoca deslocamentos importantes no processo de ensino-aprendizagem, tanto no que se refere à forma como um determinado saber é acessado e assimilado, bem como na relação pedagógica estabelecida entre professores e estudantes.

Tal forma de usar o cinema na escola é um fenômeno relativamente novo, e se disseminou a partir da popularização dos meios de produção digital da imagem através de dispositivos portáteis como cybershots, handycams e smartphones. Hoje em dia a presença da imagem digital na escola é uma realidade incontornável. Tanto dos estudantes quanto os profissionais da escola se transformaram em produtores, consumidores e retransmissores de imagens nas redes sociais. Esse fato é visto muitas vezes como um problema pedagógico: um obstáculo no processo de aprendizagem dos estudantes.

Ao inserir saberes e habilidades do campo do cinema no currículo e no cotidiano escolar, a escola passa a encarar o que era um problema como uma potência de inovação, e abre as portas para um novo território de aprendizagem, habitado pelos saberes e personagens da comunidade e regido pelo processo criativo da turma. Nesse lugar se aprende a interagir com as imagens e os discursos audiovisuais com mais consciência dos seus elementos constitutivos; se aprende a sentir através de imagens; se aprende deslocar o olhar e ressignificar as coisas do mundo; se aprende a construir realidades em comum; se aprende que dá para aprender brincando.

Atelier de criação cinematográfica realizado na Escola Experimental de Cinema da EMEIF José Albino Pimentel, no quilombo do Gurugi-Ipiranga, Conde/PB (2017)

O território escolar vira o campo de interação entre professores, estudantes e os personagens, saberes e memórias da comunidade. A internet possibilita pesquisar referências e estabelecer novas conexões. Com a câmera na mão ou na ilha de edição, o estudante tem todo o mundo à sua disposição para pesquisar, produzir imagens e discursos, relacionar saberes e construir pontos de vista e assertivas sobre determinado objeto de interesse. Os estudantes aprendem fazendo filmes sobre as questões que são importantes para a sua vida e a vida daquilo e daqueles que constituem a sua realidade.

Em outras palavras, quando o cinema é mobilizado como um instrumento de mediação de aprendizagens, o estudante se transforma em um ser ativo na construção do seu próprio conhecimento, o que faz do professor um profissional que o auxilia nessa jornada de invenção e descobertas, identificando os temas geradores que impulsionam os estudantes, propondo dispositivos de criação, relacionando saberes, trazendo referências e provocando aberturas no percurso criativo da turma.

Essa potência do cinema de acessar e relacionar os saberes do mundo o torna uma ferramenta versátil no campo da educação, pois possibilita ao educador desenvolver práticas de sensibilização do olhar e desenvolvimento da criatividade, bem como projetos vinculados à um determinado saber disciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar.

Embora no Brasil existam poucas iniciativas na área, já se pode destacar o trabalho de projetos importantes e bem sucedidos, sobretudo na região Sudeste do país, que demonstram que a inserção do cinema nas escolas tem o potencial de contribuir positivamente com a educação brasileira.

Esse cenário desafiador nos estimulou a formar em 2014 um grupo dedicado à pesquisa e à prática educativa com o cinema na Paraíba. Os profissionais que integram o grupo Semente Cinematográfica possuem formação e experiência tanto na área do cinema e da produção cultural, quanto na área da educação. Nosso objetivo é pesquisar e desenvolver metodologias adaptadas ao contexto sócio-cultural paraibano, se tornando uma referência na área para formar profissionais, desenvolver projetos junto às escolas, ONGs, instituições culturais e redes de ensino, e estabelecer diálogos com outros atores da área que atuam no Estado.

Nossas portas estão abertas ao diálogo!

Por Felipe Leal Barquete

 

GRUPO SEMENTE CINEMATOGRÁFICA

Para saber mais sobre o nosso trabalho, clique aqui.

PROJETOS ATUAIS

3 comments

Ana Valentim

Que lindo projeto. Gostaria de receber informações sobre o desenvolvimento do projeto em parcerias com as escolas. Sou professora de Artes na rede municipal de João Pessoa.
Um abraço!

Olá Ana Valentim,
As parcerias com as escolas dependem muito das condições de viabilização dos nossos serviços.
Nós estamos abertos ao diálogo com a diretoria / secretaria de educação para verificar como podemos contribuir com a escola.
Nesse link – https://goo.gl/LsUjK2 – você encontra uma relação das práticas que podemos desenvolver na escola.

Além disso, nós trabalhamos constantemente para viabilizar projetos oferecidos gratuitamente para instituições públicas de ensino.
Entre 2018 e 2019 vamos desenvolver um trabalho em parceria com o Rumos Itaú Cultural, com a proposta de implementar 4 Escolas Experimentais de Cinema no Estado da Paraíba.
Em breve lançaremos um edital para a inscrição das escolas interessadas.

Acompanhe nossas ações no Facebook ou Instagram para receber mais atualizações do projeto.
https://www.facebook.com/sementecinematografica/

um abraço!

Mudanças na Barra da Tijuca RJ

Que inteligência, diferenciado.

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